Sobre o peso e outros afins.

15 agosto 2013


Há algum tempo venho acompanhando algumas das minhas blogueiras ou celebridades favoritas "reclamando" sobre alguns comentários em suas fotos nas redes sociais. Desde então venho pensando em comentar sobre o assunto mais polêmico no mundo feminino, o peso. 

Quero ressaltar antes de começar a falar sobre o assunto, que sou enfermeira por formação e tenho como visão em principal zelar pela saúde como um todo, dito isso vamos aos fatos. 

Desde de pequena sempre fui muito magra - e quando digo isso é muito mesmo, já tive épocas de ossos aparecendo e tudo - sendo assim, sempre vi e ouvi dois tipos principais de pessoas, os que me dizem "nossa que corpo lindo, queria ser magra como você." e os que dizem "nossa você tem anorexia?". Não, eu não tenho anorexia, bulimia ou qualquer outro tipo de transtorno alimentar. Me alimento como qualquer outro ser humano, mas, tenho um biotipo que não me permite engordar. Sorte? Azar? Não sei definir, assim como toda menina eu não sou 100% feliz com meu corpo, as vezes quero ter mais coxa, um pouco mais de bunda ou quero vestir um decote que não me fica tão bem devido ao meu corpo, apesar disso na maioria das vezes eu aprendi a gostar do meu eu no espelho. Aprendi a me aceitar. 

Vejo comentários do tipo "nossa como você esta magra. Que linda, corpo perfeito!", para o mundo pelo amor que eu quero descer, desde quando magreza (ou gordura) é sinônimo de beleza? O que é lindo para uns, pode não ser para outros. Cada ser humano é único e sempre tem alguém no mundo que vai aprender a gostar de você, seja como gordinha ou magrinha. Voltando a infância, quando eu estava na escola raramente os garotos me viam, eles estavam mais interessados nas minhas amigas que tinham um corpão, eu não tinha, por essa razão recebia apelidos do tipo: vara - pau, Olivia Palito, grilo entre outros que confesso a vocês nem me lembro mais. Passei por um época de chegar em casa chorando e me sentindo mal por não ser notada, cheguei a usar várias calças uma dentro da outra para ir ao colégio afim de que aparentasse que minhas coxas fossem maiores. Ok, a adolescência passou e com ela muitos dos meus complexos foram juntos e hoje eu gosto de ser magra (até porque eu não consigo mesmo engordar e muito provavelmente sempre vou ser assim, paciência). 

O ponto é, ser muito magra, ser gordinha, ter um corpo julgado perfeito pelo resto do mundo de nada vale a pena se isso não for feito de maneira saudável, ou até mesmo de maneira que você se sinta bem com aquilo. Hoje ainda muitas pessoas me perguntam se eu tenho algum problema alimentar (nunca devem ter me visto comendo, cara eu como muito), hoje ainda me dizem que eu preciso ganhar peso aqui ou ali. O mal das pessoas é não se aceitarem e como se não bastasse a auto-crítica que fazem de si, insistem em querer que o resto do mundo faça o mesmo. Ok, eu sou magra e o que isso muda na sua vida meu amigo? Ok, a fulana é gordinha, a outra gosta de um corpo todo cheio de músculos e eu repito: O que isso interfere na sua vida? Absolutamente nada, você não precisa se satisfazer no corpo dos outros. Satisfaça-se no seu. Não é porque você vive de regime durante os 365 dias no ano que você tem que controlar o peso de todos ao seu redor, não é porque você se sente bem tomando um milhão de complementos e comendo batata doce em todas as refeições que você precisa que todos ao seu redor façam exatamente o mesmo que você. São as nossas diferenças que nos fazem tão únicos. 

Volto agora a repetir que existe um alguém para cada tipo de pessoa, por exemplo, tenho um amigo que particularmente é muito bonito, ele demorou muito para arrumar a primeira namorada e, quando o fez, ela não era o "tipo" de menina que nós imaginávamos pra ele. Confesso, foi um choque. Na época fiquei muito curiosa do porque ele havia escolhido ela, basicamente ele era o tipo marombeiro que esta mais preocupado com o bíceps do que com qualquer outra coisa no mundo, ela pelo contrário era gordinha muito bonita de rosto, mas um pouco acima do peso. Acabei por observar com o tempo que apesar da preocupação dele com o seu corpo, ele é o tipo de cara que gosta de meninas mais gordinhas, todas as namoradas dele seguem o mesmo padrão de meninas com quadril largo e gordurinhas a mais. Tem homem que gosta dessas gordurinhas e não se incomoda nem um pouco, nós mulheres que temos neuras (e não estou dizendo pra vocês ficarem obesas mórbidas, apenas para ponderar outras questões e não só essa). 

Vejo também tanto moralismo de aceitação por ai, tantas meninas dizendo que se aceitam como são e contam cada caloria do dia como se fosse um martírio. Fico observando várias dizendo "sou gordinha, me aceito como eu sou" ou até mesmo "estou feliz com meu corpo", porém apesar das afirmações felizes permanecem fazendo dietas malucas e "engordando só de olhar" as fotos no instagram dos outros, perdi as contas de quantos comentários assim eu já vi por lá. Não adianta sair pregando por ai um falso moralismo de realização com seu corpo, as pessoas percebem quando isso não é real. De modo geral, mulher nenhuma está realizada com seu corpo, temos nossos momentos é claro mas não duram para sempre e cedo ou tarde nós encontramos uma celulite aqui (meu namorado diz que homem nenhum enxerga celulites, kkk), um defeito ali. Não tem motivos de fazer a feliz se você não está assim, se você comer coma sem culpa, se não comer, é uma escolha mas faça isso de maneira que você fique satisfeita por não comer. Fazer dieta, perder peso ou seja lá o que você faça, não tem que ser um sacrifício e sim uma coisa que traga bem estar. A verdade é que, ser magra não invalida a insatisfação. Eu mesma já fiz tantas dietas para ganhar peso e, assim como muitas de vocês não conseguem emagrecer eu não consigo engordar. É a vida, superar é preciso. 

De qualquer forma acho válido que cuidemos do corpo de maneira geral, re-educação alimentar, exercício físico e todos  os outros cuidados com acompanhamento de pessoas especializadas, desde que o cuidado com nosso corpo seja nosso. Vamos ser mais ponderados com relação ao peso e, parar de controlar as calorias do vizinho. Já basta nossas próprias auto-cobranças, vamos deixar as calorias do vizinho em paz né. 

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